Biblioteca da Escola Básica de Arões - Santa Cristina
Agrupamento de Escolas de Fafe

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23 maio 2011

Gosto de ler, porque...

Mais um testemunho de uma professora sobre o "vício" da leitura.

«Sem dúvida que gosto muito de ler. O fascínio da leitura começou muito cedo. Lembro-me muito bem de acompanhar o meu pai na leitura do jornal “Comércio do Porto” aos fins-de-semana. Adorava fazer as palavras cruzadas e resolver alguns enigmas. Lembro-me da colecção da Anita, das histórias tradicionais, dos livros de banda desenha “ O patinhas”... Depois seguiram-se a colecção dos cinco, os sete, de Enid Blyton e por aí fora. O gosto pela leitura nunca mais parou, já que nunca deixei de imaginar enquanto lia. As personagens tomavam forma, os cenários existiam, podia visualizar a aventura claramente. Sabem, as personagens ficavam à minha espera, chamavam por mim. Era uma sensação fantástica!
Na aldeia onde morava, passava a carrinha da Gulbenkian. Era uma festa a chegada daquele maravilhoso carrinho! Todas as crianças da rua corriam à procura de mais aventuras. E sabem porquê, meninos? Não havia estas maravilhosas Bibliotecas Escolares, mas, nem por isso, a leitura era posta de lado. No 5º ano, fazíamos a biblioteca de turma. O dia da troca de livros era à 2ª feira e a ansiedade era imensa. Todos ansiavam pela troca dos livros e pelas partilhas de leituras. Lembro-me da minha professora de português, a professora Dorinda, maravilhosa, sem dúvida!
Mais tarde e, porque eram leituras obrigatórias, as minhas leituras evoluíram e os clássicos marcaram, de facto, esta fase da minha vida. Júlio Dinis, com A Morgadinha dos Canaviais, Camilo Castelo Branco, com O Amor de Perdição. Muito chorava eu ao ver o fiozinho de seda a descer pela janela, trazendo uma carta de amor. Mas, sem sombra de dúvida, Eça de Queirós é o eleito. Li muitos livros deste escritor, porque me identifico com a sua forma de escrever, o realismo que imprime nas descrições, no carácter majestoso das personagens, o humor sempre presente cativa qualquer leitor. Eça é o meu escritor de eleição. O Crime do Padre Amaro, Os Maias, A Cidade e as Serras, o Primo Basílio
Dos escritores estrangeiros e actuais, sou apaixonada pela Isabel Allende, A casa dos espíritos, A Filha da Fortuna, O Retrato a Sépia, A Ilha debaixo do Chão , entre muitos outros… Outro escritor que adoro é José Rodrigues dos Santos. O livro A Filha do Capitão é fantástico… Às vezes digo aos meus filhos que gostaria de reformar-me só para ter mais tempo para ler e dedicar-me às minhas alfaces e ao meu jardim.»

Professora Paula Sobral

19 maio 2011

Gosto de ler, porque...

 A patir de hoje, vamos partilhar com todos vós uma série de testemunhos de leitores e leitoras assíduas, daqueles que gostam de ler e que o fazem por puro prazer. Colocámos várias perguntas: Quando se tornou num leitor assíduo? Qual foi o livro que despertou essa sede de leitura (ou os livros)? Por que gosta de ler?
Aqui fica o primeiro testemunho.

«Não me recordo exactamente de quando me apaixonei pela leitura. Possivelmente foi mesmo antes de aprender a ler…  O meu percurso enquanto leitora foi o de muitos da minha geração: na infância a Anita, as BD da Disney (ainda em Português do Brasil), depois Os Cinco, Os Sete, As Gémeas no Colégio de Santa Clara… Mais tarde as leituras de obras para Língua Portuguesa: Menina e Moça, Amor de Perdição (que «devorei» em cerca de dois dias), Os Maias, entre outros – gostei de os ler a todos.
Creio que o primeiro livro que li espontaneamente e me prendeu de imediato foi Capitães da Areia, de Jorge Amado, há mais de vinte anos. O que mais me cativou foi o realismo da acção e das personagens, aliado à mestria da linguagem do autor. Ainda hoje me sinto atraída por obras de carácter mais realista. Daí gostar tanto dos romances de Rosa Lobato de Faria, por exemplo, que estão recheados de personagens do dia-a-dia, cujas vivências e sentimentos poderiam perfeitamente ser os nossos. Por outro lado, também gosto muito da fantasia e da magia da saga Harry Potter, provavelmente porque teimo em não deixar crescer por completo a tal criança que há em mim (em nós), lição que aprendi com outra leitura marcante (O Principezinho) – que releio frequentemente e nunca me cansa.
Sou, sempre fui, uma leitora assídua (embora com fases mais intensas que outras) e sou igualmente uma defensora do direito inalienável do leitor de começar a ler um livro e não o terminar. Pois se «Um livro é um amigo», não nos tornamos amigos à primeira vista de todas as pessoas que conhecemos e isso aplica-se aos livros; se não nos cativa este, devemos tentar outro e outro, porque entre tanta literatura é impossível que não exista pelo menos um que nos convide a essa amizade.»

Professora Teresa Rodrigues